Preparação física funcional aplicada a corrida Parte 2

Preparar seu corpo para começar a correr é algo que deve ter tanta ou mais relevância do que o ato de correr em si. Ao se destinar o foco para o cuidado com músculos, articulações e padrões de movimento as chances de lesão diminuem substancialmente e a prática do esporte se sustentará por tempo prolongado. Sabe-se que os maiores precursores de lesão são alguma assimetria corporal ou lesões mal curadas (COOK, 2003).

A análise qualitativa dos padrões de movimento deve ser feita através da avaliação do FMS (functional movement screen), onde sete padrões de movimentos fundamentais são desafiados nos quesitos mobilidade, estabilidade e caso  exista alguma assimetria entre lado direito e esquerdo esta ficará evidente. Como exemplo pode-se pensar em um corredor que tem a tendência a colocar mais o peso em uma perna do que na outra. Este é um caso clássico de assimetria corporal que tem grande potencial para gerar alguma lesão.

O nosso corpo é todo coberto por um tecido conectivo conhecido como fáscia muscular. Essa fáscia, que se assemelha com uma grande teia de aranha, cobre nossos músculos, ossos e articulações fazendo com que seja possível nos mantermos eretos.  Como o mundo atual nos induz a passar muito tempo sentados e o corpo tende a se moldar a essa postura, fazendo com que certas musculaturas fiquem tensas e encurtadas e outras também tensas, porém muito alongadas. Essa alteração postural se dá pela criação de nódulos musculares, que se dão pela aderência do músculo à fáscia, fazendo com que a musculatura pare de funcionar em seu estado normal sendo assim um grande facilitador para lesões.

fascia2

  •  Fáscia muscular

As técnicas de liberação miofascial (auto massagem) tem como principal objetivo a retirada destes nódulos musculares e podem ser realizadas antes ou depois da corrida. Ao fazer a liberação miofascial antes da corrida você estará preparando sua musculatura para o esforço que vem a seguir, diminuindo bastante as chances de lesão. Ao realizar a liberação miofascial após a corrida você estará diminuindo os espasmos musculares causados pelo cansaço muscular pós treino, além de estar acelerando o processo de recuperação para a próxima corrida.

DCIM101GOPROG0966282.

  • Liberação miofascial da banda íleo tibial (músculo com tendência a encurtamento em corredores)

A preparação para o movimento (aquecimento) pode ser mais completo e eficiente do que apenas caminhada ou corrida leve. Este é um momento chave do treino no qual você pode utilizar para ativar certas musculaturas que ficam “adormecidas” durante o dia-a-dia (como os glúteos) e também para aprimorar as técnicas de corrida. Ao realizar as ativações musculares e técnicas de corrida antes do treino garantimos que o corpo ficará mais alinhado e eficiente, gastando menos energia e consequentemente melhorando seu desempenho.

DCIM101GOPROG1346487.

  • Alongamento dinâmico de músculos flexores do quadrilescadinha
  • Movimento educativo para corrida
  • EXEMPLO DE PREPARAÇÃO PARA CORRIDA
    • INICIAÇÃO – AVALIAÇÃO DE QUALIDADE DE MOVIMENTO (FMS)

     

    LIBERAÇÃO MIOFASCIAL PRÉ CORRIDA (5 A 10 MIN)

    ATIVAÇÕES MUSCULARES  (+-5 MIN)

    TÉCNICAS DE CORRIDA (+-5 MIN)

    LIBERAÇÃO MIOFASCIAL PÓS CORRIDA (5 A 10 MIN)

As gêmeas Michelle e Monique duelam na final da superliga de vôlei

Imagem

Na última segunda feira (28.03.2016) aconteceram as duas semi-finais da superliga feminina de vôlei. No primeiro jogo da noite, o Rexona bateu o Osasco por 3 sets a 0, e no segundo jogo, o Praia Clube derrotou o Minas Tenis Clube também por 3 sets a 0, se credenciando para fazer a final inédita no próximo domigo (03.04.2016) em Brasília.

A história desta final começou a ser escrita há cerca de seis meses atrás quando a equipe ABR iniciou uma parceria de sucesso com a ponteira passadora do Praia Clube, Michelle Pavão. Naquela oportunidade foi realizada a avaliação do FMS (functional movement screen) com o intuito de identificar possíveis disfunções mecânicas que pudessem ser aprimoradas.

michele fms 4

A avaliação do FMS consiste na realização de sete padrões de movimento (agachamento profundo, passo sobre a barreira, mobilidade de ombro, agachamento em linha, estabilidade de tronco, estabilidade rotacional, elevação de perna estendida) que tem como objetivo colocar as articulações do avaliado em situações desafiadoras onde qualquer assimetria, fraqueza ou dor se fará flagrante aos olhos do avaliador.

A atleta Michelle Pavão demonstrou excelente desempenho no teste, porém apresentou pequena assimetria no passo por cima da barreira e também na mobilidade de ombro. A equipe ABR ,com este resultado em mãos, pôde sugerir algumas técnicas de liberação miofascial com o rolo e bolinhas da ABR em alguns pontos chave ,para que estas assimetrias fossem minimizadas e o rendimento da atleta aumentasse.

Sabe-se que para competir no esporte de alto rendimento o atleta deve se cercar de uma equipe multidisciplinar competente, e a equipe ABR fica muito satisfeita por ter dado sua parcela de contribuição para que a atleta apresentasse um desempenho fenomenal durante todo o torneio, sendo eleita a melhor jogadora do último jogo da semi-final.

E esta parceria deu tão certo que se estendeu a algumas atletas do Rexona, como a irmã gêmea da Michelle, a Monique Pavão e a líbero Fabi Alvim, que passaram a fazer uso dos produtos de liberação miofascial da ABR em sua rotina de treino.

No próximo domingo, dia 03/04 às 9:30 da manhã , todos poderão assistir o duelo entre as duas irmãs gêmeas Michelle e Monique pelo título de uma das mais fortes ligas de voleibol do mundo. Que vença a melhor.

 

ABR Funcional na Lagoa

Vídeo

 

Há um ano e meio atrás a ABR implementou um projeto diferenciado de preparação física ao ar livre , com o objetivo de oferecer aos que curtem a Lagoa Rodrigo de Freitas, a possibilidade de participar de um treinamento físico completo em um dos cartões postais mais bonitos do Rio de Janeiro. O clima agradável da Cidade Maravilhosa possibilita que o aluno treine ao ar livre durante as quatro estações do ano.

O público que frequenta os treinamentos na tenda da ABR varia entre 25 e 60 anos de idade. Homens e mulheres que não curtem o ambiente de academia e gostam de fazer atividade física ao ar livre, puderam encontrar na ABR a possibilidade de aprimorar sua força, resistência, flexibilidade e condicionamento “aeróbio” sem ter que gastar horas na academia. Com a metodologia do Treino ABR, o aluno consegue obter todos os benefícios na mesma sessão de treinamento.

treinoabr.png

A estrutura do Treino conta com o sistema de avaliação da ABR, onde objetivos são traçados baseados nas necessidades e limitações do aluno. Alívio de dores músculo-articulares, ganho de força e emagrecimento são alguns dos objetivos mais comuns dos que procuram treinar com a ABR. E graças ao sistema de periodização (organização do treino no médio/longo prazo) do Treino ABR, os alunos tem conseguido atingir suas metas pessoais de treinamento.

Periodicamente, a ABR organiza eventos  como cafés-da-manhã e piqueniques, para que nossas nutricionistas possam manter os alunos da ABR bem informados sobre como ter uma alimentação mais balanceada. Outros eventos como trilhas e travessias também acontecem periodicamente e servem como um treino alternativo muito atrativo para os alunos ABR.

lagoa rev

Articulação por articulação. Uma nova abordagem?

por Equipe abr

Em uma discussão entre os renomados autores Gray Cook e Michael Boyle, o primeiro estava compartilhando com o segundo como era sua visão sobre a necessidade das articulações do corpo, e como suas funções estão relacionadas com o treinamento.

Para Gray Cook (2010), o corpo é apenas um monte de articulações, onde cada uma delas tem uma função específica, podendo assim , estar sujeitas a disfunções. Como consequência, cada articulação terá necessidades específicas de treinamento. O quadro abaixo mostra esta visão de forma mais clara:

A primeira coisa a se notar é que as articulações se alternam entre mobilidade e estabilidade. Os tornozelos precisam de mobilidade, e os joelhos, estabilidade. E assim vão se alternando. Nos últimos 20 anos, nos Estados Unidos, a abordagem antiga de treinamento de musculaturas isoladas, como treino de “peito , tríceps e ombro” vem sendo substituída por uma mais inteligente e integrada, onde se treina padrões de movimentos como puxar/empurrar e flexão/extensão de quadril (Boyle, 2010).

De qualquer forma, esta abordagem por si só não é completa. É necessário levar em consideração as funções de cada articulação e suas possíveis disfunções. Muitas lesões estão diretamente associadas a estas funções articulares, ou melhor, às suas disfunções. Problemas desenvolvidos em uma articulação normalmente aparecerão em forma de dor na articulação acima ou abaixo. O processo é simples. Ao perder mobilidade de tornozelo, terá mais chances de ter problema no joelho. Ao perder mobilidade de quadril, terá mais chances de problema na coluna lombar (Boyle, 2010).

Sabendo que o mundo moderno em que vivemos pode ser bastante prejudicial para nossas articulações (muito tempo sentados, calçados inadequados, etc), nós da abr desenvolvemos nossa metodologia de uma forma que cada articulação citada anteriormente tenha todas suas necessidades serão estimuladas a cada dia de treino, garantindo assim, uma treino bastante seguro e eficiente.

REFERÊNCIAS:
COOK, Gray. 12 de dezembro 2010. http://www.functionalmovement.com/articles/Screening/2010-12-17_expanding_the_joint-by-joint_approach
BOYLE, M. J. Advances in functional training: training techniques for coaches, personal trainers and athletes. Califórnia: One Target Publications. 2010.

Reportagem: Ivan Mundim

Atleta2Hoje vamos falar sobre o Ivan Mundim, um aluno muito especial para a Equipe ABR por ser um exemplo de superação, disposição e motivação, além de nos provar que o treinamento funcional que desenvolvemos é realmente diferenciado.

O Ivan é um apaixonado por esportes aquáticos. Surfista desde os 13 anos, sempre praticou esqui aquático e kite surf. Há alguns anos, incorporou o SUP – Stand Up Paddle – com remadas de longa distância e o SUP surf à sua rotina que ainda conta com corridas e pedaladas quando sobra um tempinho.

Em abril do ano passado, o Ivan sofreu a lesão mais séria que já teve durante um SUP surf na praia da Macumba: caiu de uma onda grande e, por instinto, não largou o remo na queda. O remo fez uma alavanca deslocando o braço do ombro e causando lesão de todos os ligamentos e tendões, além de paralisia plexo braquial.  O Ivan não conseguia mais erguer o braço direito e chegou a pensar que perderia seus movimentos para sempre.

AtletaA recuperação começou com uma cirurgia quase um mês depois do acidente e restabeleceu alguns movimentos. Cinco meses após o procedimento, o Ivan começou a fisioterapia e retomou o treinamento funcional na ABR. Segundo o médico que o operou, um recorde! Mês passado, o Ivan participou de uma prova de Race Amador e ainda ficou com o 16º lugar no Rei e Rainha do Mar, em Copacabana/RJ! O primeiro a chegar na faixa acima de 50 anos.

Avesso à monotonia das academias, o Ivan adorou o treinamento funcional logo que conheceu pela variedade de exercícios e o modo circuito que mescla atividades cardiorrespiratórias e exercícios de força, reproduzindo o que acontece na prática. Outra grande vantagem apontada foi a adaptação dos exercícios às necessidades que ele tinha, uma personalização do treinamento que é um cuidado especial que a ABR tem com seus alunos.

Além disso, o Ivan se empolgou com o rápido resultado dos treinamentos iniciados há mais de um ano. Poucas semanas após começar já sentiu o corpo mais estruturado e seguro para praticar seus esportes radicais. Hoje, com 56 anos, ele se sente mais forte e confiante do que há dez anos, deu adeus aos problemas na coluna, torcicolos, estiramentos e outras lesões sempre respeitando os limites do seu corpo e levando uma vida saudável.

Sistemas de treino e rendimento esportivo

Por Equipe abr.

Desde o início dos jogos olímpicos os sistemas de treinamento têm passado por alterações significativas quanto aos objetivos, tipos de equipamentos, além de volume e intensidade das sessões de treino [1]. Um exemplo disso é a quantidade de treino realizada (30 minutos por dia) por Roger Banister quando bateu a marca dos 4 minutos na milha, em 1954. Entre os anos de 1975 e 1980, para correr a mesma distância, o volume de treinamento aumentou entre 10% a 22% [2]. Durante a Copa do Mundo FIFA no Brasil, o Futebol mundial mostrou que, além da dimensão tática ser fator determinante para o sucesso de uma equipe durante uma partida, a dimensão física continua exercendo papel essencial para a vitória dentro das quatro linhas. Foi possível observar que algumas seleções apresentaram rendimento físico superior às demais, com menor desgaste e consequente diminuição do ritmo de jogo. Essas seleções foram fotografadas realizando exercícios e utilizando materiais muito comuns para os praticantes da preparação física funcional proporcionada pela abr aos seus alunos.

23jan15-123jan15-2

 

 

 

Fonte: Site do programa Esporte Espetacular.

Em entrevista ao repórter Fabrício Marques do programa Esporte Espetacular [3], o mestre em Ciências do Desporto e ex-preparador físico do Bayern de Munique, Marcelo Lins, ressalta a necessidade de desenvolvimento de um bom padrão de movimento: “A qualidade do movimento é a base do programa. Preparadores fazem excelentes trabalhos no desenvolvimento das capacidades físicas, mas de que adianta ter super atletas lesionados? Todo o trabalho pode ser perdido em função de uma lesão. No caso, estou me referindo a lesão sem contato. No trabalho com o movimento correto você pode diminuir a probabilidade de lesão. É como construir uma casa na praia. Não pode fazer na areia. Tem que cavar e fazer uma fundação. O jogador com uma base sólida, um movimento adequado, tem a fundação para um bom trabalho de condicionamento físico”. A escolha do melhor sistema de treinamento pode ser determinante para o sucesso em determinada modalidade esportiva, ou mesmo para os objetivos traçados por uma pessoa comum em relação ao rendimento físico. A preparação física funcional tem conquistado fatia importante do mercado da preparação física justamente por reunir três características: i) desenvolve determinadas capacidades físicas, ii) resgata padrões de movimento fundamentais e, iii) restaura grupos musculares.

REFERÊNCIAS

SAMULSKI, D., L.O.P. Costa, and R.Á.d.P. Simola, Overtraining e recuperação, in Psicologia do esporte: conceitos e novas perspectivas, D. Samulski, Editor. 2009, Manole: Baueri. p. 405-428. BOMPA, T., Theory and methodology for training: the key to athlete performance. 1983, Dubuque: Kendall/Hunt. MARQUES, F., Ex-preparador do Bayern, brasileiro destaca importância do físico: ‘Fundamental’, in Globo esporte online. 2014, Rede Globo: Brasília. p. 1.

Mais um pódio para o nosso atleta da canoa polinésia

Processed with MoldivNo dia 18 de outubro ocorreu o Campeonato Brasileiro de Va’a Maratona e V1 Paracanoagem em Santos/SP, organizado pelo Núcleo Poseidon de Canoagem Havaiana, pela Confederação Brasileira de Canoagem e pela Prefeitura de Santos.

Processed with Moldiv

 

Na categoria Júnior, a equipe Rio Va’a do nosso atleta Nário ficou com o 2º lugar. A abr parabeniza o Nário e seus colegas de canoa Thomas Bourlon, Luís Leal, Lucas Mendes, Daniel Martins e Leon Bourlon pelo excelente resultado!

 

Inauguração da Tenda na Lagoa

Processed with Moldiv
No último sábado, dia 6 de setembro, foi inaugurada a Tenda na Lagoa da abr. A Carolina, nutricionista e colaboradora da equipe, preparou um café da manhã especial para receber alunos, amigos e interessados em conhecer esse treinamento. A estrutura foi montada com todos os equipamentos utilizados no treino funcional: cordas, bolas, rodas, trenó, slide board, caixotes, kettlebells entre outros.

Processed with Moldiv
Os treinadores Eder, Eduardo e Fábio apresentaram a preparação física funcional que a abr desenvolve há mais de um ano no local, apresentaram os benefícios do treinamento realizado ao ar livre, com um aparelhamento especial (bem diferente do que é encontrado nas academias) e com um princípio também diferenciado de consciência corporal, de busca de equilíbrio e de organização da estrutura do corpo de um forma eficiente.

Processed with Moldiv
A Tenda na Lagoa está montada à beira da Lagoa Rodrigo de Freitas em frente ao Clube Monte Líbano. As aulas ocorrem diariamente e tem uma hora e 15 minutos de duração. Atualmente dispomos de 2 horários em cada turno: pela manhã, das 7hs às 8:15hs e das 8:15 às 9:30hs. À tarde, das 17hs às 18:15hs e das 18:15hs às 19:30hs. E à noite das 19:30hs às 20:45hs e das 20:45hs às 22hs.
Se você está procurando um treinamento inteligente, outdoor e sem aparelhos, aqui é o seu lugar. Vem para a abr!

A importância da ativação dos glúteos no treinamento do core

Por Equipe abr

Em texto anterior a equipe abr citou alguns benefícios de treinar o core, como a melhora do controle postural, ajuda na remoção do lactato e de transferência de força da região central para as extremidades do corpo. Segundo Boyle (2010), para um melhor entendimento do treinamento do core, é preciso observar os mecanismos compensatórios que o corpo promove.
imageRealizar o padrão de movimento de extensão lombar em substituição à extensão de quadril é uma das principais razões para a falta de estabilidade na região do core, podendo causar lombalgias indesejadas. Este padrão se altera com o encurtamento da musculatura do iliopsoas, o que inibe a ação do motor principal deste movimento, o glúteo máximo. O encurtamento da musculatura posterior da coxa e consequente incapacidade de realizar de maneira adequada a extensão do quadril, também pode ser considerado um fator que inibe a atuação do glúteo (BOYLE, 2010).
A solução para este padrão de movimento alterado é a reeducação do sistema neuromuscular, fazendo com que o glúteo seja utilizado da maneira eficiente. A sugestão de Boyle (2010) é que esta ativação de glúteo máximo seja no início do treinamento. Esse autor também associa as dores na parte anterior do joelho à falta de força do glúteo médio (musculatura estabilizadora do joelho).
Baseado na experiência e estudos de Michael Boyle, a abr utiliza exercícios para a reeducação neuromuscular dos músculos glúteo máximo e médio, garantindo o sucesso do treinamento do core e de outras capacidades físicas. Desta forma, ainda, são reduzidos os riscos de lesões por mecanismos compensatórios.
.
REFERÊNCIA
BOYLE, M. J. Advances in functional training: training techniques for coaches, personal trainers and athletes. Califórnia: One Target Publications. 2010.

A história do kettlebell

Por Equipe abr

kettlebell_1

As raízes do kettlebell

kettlebell_2

Kettlebells têm sido utilizados como ferramentas dinâmicas para desenvolver força e resistência há séculos. Sua origem ainda é questão de especulação, mas registros arqueológicos mostram evidências do seu uso da Grécia Antiga (Sanchez, 2009, p.4). No Museu Arqueológico de Olímpia, em Atenas, na Grécia, está armazenado um kettlebell de 143 kg. Nele, há uma inscrição que diz “Bibon me levantou acima da cabeça por uma cabeça” (Istorija, IUKL).

Os kettlebells chegaram na Rússia no início do século 18, quando, em 1704 a palavra “Girya” (ги́ря) foi publicada pela primeira vez no dicionário russo, significando kettlebell. Naquela época, ele era usado como peso para medir volume de grãos e outras mercadorias. No entanto, como a cultura russa vê na força uma honrosa qualidade, durante feiras e festivais vendedores começaram a levantar e balançar estes pesos para demonstrar sua força, logo reconhecendo os benefícios que esta atividade trazia para a saúde.

Entre 1870 e 1880, o russo Dr. Vladislav Kraevsky, considerado o fundador de “heavy athletics”, viajou por toda a Europa reunindo informação sobre exercícios e esportes, com a intenção de encontrar novas maneiras de melhorar a saúde, o bem estar e a educação física.

Ao retornar à Rússia, o médico introduziu exercícios com kettlebells e halteres à comunidade atlética russa. Em 10 de agosto de 1885, sob a liderança do Dr. Kraevsky, uma academia de treinamento com pesos foi aberta.  Este dia é considerado o nascimento do levantamento de peso na Rússia. O objetivo da academia de treinamento com pesos era o desenvolvimento muscular. As sessões de treinamento aconteciam três vezes por semana. Os atletas executavam “press” com uma e com duas mãos, snatch e o “clean and jerk” enquanto o doutor controlava as doses e pesos (Baszanowski & Casadei, 2005). Ele dava muita atenção à sequência de carga, desenvolvimento de habilidade, técnicas corretas de respiração e métodos para evitar a exaustão. (IUKL).

 No início do século 20, fisiculturistas, homens fortes e performistas de circo em todo o mundo, como Arthur Saxon, Edgar Mueller e Eugene Sandow treinavam com kettlebells no tradicional estilo de atletas e homens fortes russos (IUFL), introduzindo o kettlebell à uma audiência mais ampla fora da Rússia. No entanto, a Primeira Guerra Mundial e uma guerra civil na Rússia acabaram por isolar as tradições e os esportes russos, ficando os kettlebells restringidos às fronteiras da Rússia (IUKL). Ainda assim, eles continuaram a ficar cada vez mais populares na antiga União Soviética. Treinar com kettlebells se tornou uma prática comum para habitantes de áreas rurais, militares e atletas olímpicos. Para somar ao seu programa de treinamento, os levantadores de peso olímpico soviéticos utilizavam kettlebells unilateralmente para fortalecer seus lados mais fracos. Até hoje os países do antigo bloco do leste contam com kettlebells para complementar os treinamentos de muitos de seus atletas e das forças armadas (Sanchez, 2009).

Na Rússia, kettlebells são motivo de orgulho nacional e um símbolo de força. Ao contrário da maioria das forças armadas, que testam seus soldados com apoios, as forças armadas russas testam seus soldados utilizando alto volume de “snatches” com kettlebell de 24kgs (Tsatouline, 2006). Em 1981 o governo russo reconheceu os vários benefícios que o kettlebell pode proporcionar aos trabalhadores, e uma comissão oficial tornou obrigatório o treinamento com kettlebell para as massas de trabalhadores, confiando no kettlebell para aumentar a produtividade e diminuir os custos com saúde no país (Sanchez, 2009, p.7).

De ser usado como peso em mercados de alimentos na Rússia, até uma ferramenta para desenvolvimento atlético e de saúde, o kettlebell acabou se tornando um esporte em si. Em 1974 foi oficialmente declarado como um esporte étnico da Rússia (Sanchez, 2009, p.6) e em 1985 aconteceu o Primeiro Campeonato Nacional da URSS, em Lipetsk, na Rússia.

kettlebell_3

Fonte: Kettlebell Science. Disponível em <http://www.kettlebellscience.com/kettlebell-history.html&gt;.