Palavra do colaborador: Você acha que sabe o que está fazendo?

Por André Vieira

Alguns aspectos são fundamentais para que os atletas de alto rendimento tenham de fato um desenvolvimento adequado priorizando suas competições alvo. Óbvio que todo treinamento, se bem executado, levará a uma melhoria da performance desses indivíduos, mas se a combinação entre tático/técnico e físico acontecerem o desenvolvimento das valências físicas trabalhadas chegará ao ápice em sua competição alvo.

Hoje, como preparador físico responsável por duas modalidades olímpicas, essa questão fica evidente a cada dia. Falando mais especificamente da minha realidade com os desportos aquáticos, tenho plena convicção de que melhores resultados são adquiridos quando a rotina de treinamento é exatamente respeitada e segue a combinação de estímulos entre os chamados blocos de cargas (Verkhoshansky).

A partir de hoje, estarei aqui falando sobre sistemas de treinamento físico, periodização, exercícios eficientes, manutenção de sistemas e adaptações nos modelos pré determinados. Será um prazer dividir parte da minha rotina com vocês.

salto2 copyAntes de falar sobre tais aspectos, precisamos gerar uma linha de raciocínio lógico. Diante das facilidades em pesquisar sobre o movimento humano consciente, os atletas carregam consigo hábitos adquiridos por seus treinadores passados, exercícios, estímulos, forma de execução. Estes tornaram-se “especialistas” , acham que sabem quais as melhores possibilidades e formas de execução do movimento que darão melhores resultados.

Inicialmente eu achava engraçado, mas com o passar do tempo tais características começam a interferir na sua periodização, utilizam exercícios fora da programação sem consultá-lo, fazem o que acham ser melhor, porque dessa forma sentem-se melhores. Pois bem, o corpo humano busca a todo momento a harmonia entre os sistemas, esse funcionamento equilibrado se chama homeostase, zona de conforto. Para que haja o desenvolvimento das questões a serem trabalhadas, em nosso caso as valências físicas, precisamos quebrar esse conforto para que o corpo gere mecanismos adaptativos em busca de uma nova homeostase e é nesse momento que obtemos o desenvolvimento.

Voltando aos atletas “especialistas”, estes estão acostumados… sentem-se melhor… já fazem há muito tempo… por fim, utilizam de todos os argumentos possíveis para manter a prática dos exercícios que carregam consigo há tempos prejudicando o desenvolvimento de seu desempenho com a manutenção da zona de conforto.

O cérebro gera mecanismos adaptativos quanto ao movimento todo o tempo, através dos neurônios motores. Hall fala bem sobre isso em biomecânica básica.

Sendo bem redundante propositalmente, se você já esta acostumado é um sinal de que seu corpo adaptou-se ao estímulo e que seu cérebro já entende tudo que faz durante sua prática como normal. Resumindo, está apenas perdendo seu tempo e fazendo com que perca o meu.

Analogicamente falando: vamos tirar o cérebro do sofá e quebrar o controle remoto da TV?

Bons treinos!

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